Catarata

Como é feita a cirurgia de catarata: passo a passo real

Da anestesia em colírio ao implante da lente: veja como é feita a cirurgia de catarata por facoemulsificação, quanto tempo dura e como é a recuperação.

Equipe médica do Hospital da Catarata 24 de junho de 2026 8 min de leitura

Saber exatamente o que acontece na sala de cirurgia tira boa parte do medo — e no caso da catarata, a realidade é muito mais tranquila do que a imaginação: minutos de procedimento, anestesia em colírio, alta no mesmo dia. Vamos ao passo a passo completo, do dia anterior ao centro cirúrgico, passando pela técnica moderna de facoemulsificação.

Antes do dia: o planejamento pré-operatório

Nenhuma etapa do dia da cirurgia começa sem o estudo prévio do olho:

  • Biometria — mede o comprimento do olho e a curvatura da córnea para calcular o grau da lente intraocular que será implantada
  • Mapeamento de retina e, se indicado, OCT — confirmam que retina e mácula estão saudáveis (isso define a expectativa de visão final)
  • Escolha da lente intraocular — monofocal, tórica ou multifocal, conforme o olho e a rotina do paciente

Esses exames geralmente são realizados em consulta específica dias ou semanas antes da cirurgia. O resultado orienta não apenas o cálculo da lente, mas também a estratégia cirúrgica e o tipo de anestesia mais adequado.

Preparação nos dias antes da cirurgia

A preparação começa antes de chegar ao centro cirúrgico. Nos dias que antecedem o procedimento, é comum o cirurgião prescrever:

Colírios antibióticos e anti-inflamatórios. O uso preventivo reduz a carga bacteriana da superfície ocular e prepara o olho para reagir melhor à cirurgia. É fundamental seguir os horários à risca — não pular dose nem substituir por outro produto.

Outros cuidados práticos:

  • Jejum conforme orientação médica (geralmente de 4 a 8 horas, a depender se haverá sedação)
  • Banho na manhã da cirurgia, sem usar produtos nos olhos (maquiagem, creme facial, perfume perto dos olhos)
  • Não usar lentes de contato nos dias anteriores — a córnea precisa estar no formato natural para os cálculos serem precisos
  • Acompanhante obrigatório — você não poderá dirigir de volta, e a sedação pode deixar o raciocínio levemente lento nas horas seguintes
  • Como chegar: deixe transporte e horário reservados com antecedência; a passagem pelo centro cirúrgico costuma durar entre 1 e 2 horas no total

A anestesia: colírio ou peribulbar?

Uma das dúvidas mais comuns — e que mais alivia quando respondida — é sobre a anestesia.

Anestesia tópica (colírio) é o padrão atual: gotas anestésicas são aplicadas diretamente na superfície do olho, bloqueando a sensação de dor sem qualquer injeção. É confortável, tem recuperação imediata e não deixa o olho "dormente" por horas como ocorria antigamente. Na grande maioria das cirurgias eletivas de catarata, ela é suficiente e utilizada.

Sedação leve intravenosa pode ser associada à anestesia tópica para relaxar o paciente que está muito ansioso. Você permanece acordado e cooperativo, mas mais tranquilo.

Anestesia peribulbar (injeção ao redor do olho) é reservada para casos mais complexos: cataratas muito densas que demandam mais tempo cirúrgico, pacientes com dificuldade de cooperação ou situações anatômicas específicas. Nessa modalidade, o anestesiologista injeta o anestésico no tecido ao redor do olho, bloqueando todos os movimentos oculares. É segura, mas causa mais desconforto que o colírio.

Anestesia geral é rara e usada em situações excepcionais, como em crianças ou pacientes com condições que impeçam qualquer cooperação.

O passo a passo na sala (10–20 minutos)

  1. Anestesia em colírio — gotas anestésicas; em muitos serviços, sedação leve na veia para relaxar. Você fica acordado, sem dor, vendo luzes e vultos.
  2. Microincisão (~2 mm) — abertura mínima na borda da córnea, do tamanho de uma ponta de caneta. É por ela que tudo acontece.
  3. Abertura da cápsula — o cirurgião cria uma "janela" circular na cápsula que envolve o cristalino (capsulorrexe).
  4. Facoemulsificação — uma caneta de ultrassom fragmenta o cristalino opaco em pedacinhos, aspirados na mesma hora. É a etapa que dá nome à técnica.
  5. Implante da lente — a lente intraocular entra dobrada pela microincisão e se abre dentro da cápsula, no lugar exato do cristalino. Ela é definitiva — não precisa trocar nem "vence".
  6. Selagem natural — a incisão é tão pequena que geralmente se fecha sozinha, sem pontos. Curativo ou protetor, e pronto.

"E se eu piscar ou mexer o olho?" — um pequeno suporte mantém as pálpebras confortavelmente abertas, e o microscópio compensa micromovimentos. Pode respirar tranquilo: a equipe conduz tudo.

O que o paciente sente durante o procedimento

Essa é a pergunta que mais gera ansiedade — e a resposta costuma surpreender positivamente quem já passou pela cirurgia.

O que você vê: com a pupila dilatada e os olhos sob o microscópio cirúrgico, você percebe luzes brilhantes e coloridas — geralmente azuis, laranjas ou brancas — que se movem e mudam de intensidade. Não é possível enxergar instrumentos ou o que está acontecendo em detalhe. A visão fica turva e difusa.

O que você ouve: há um leve som mecânico intermitente durante a facoemulsificação — o ultrassom trabalhando. A equipe pode conversar brevemente para orientar o paciente ("olhe para a luz", "não se mova"). O ambiente é tranquilo.

O que você sente: nenhuma dor. É possível sentir leve pressão ou toque na região do olho, mas sem dor — a anestesia bloqueia completamente os receptores de dor. Alguns pacientes descrevem uma sensação de "algo acontecendo" sem conseguir especificar o quê.

Duração percebida: a cirurgia dura entre 10 e 20 minutos, mas a maioria dos pacientes relata que parece mais curta do que esperavam. A sedação leve também contribui para que o tempo pareça passar mais depressa.

Laser de femtossegundo: a opção assistida por laser

Além da facoemulsificação convencional, existe uma modalidade chamada cirurgia de catarata assistida por laser de femtossegundo. Nela, algumas etapas do procedimento são realizadas com laser de alta precisão antes de o cirurgião entrar com os instrumentos:

  • Capsulorrexe a laser: a abertura circular na cápsula do cristalino é feita com precisão milimétrica, sem depender de instrumento manual
  • Fragmentação prévia do cristalino: o laser pré-fragmenta o cristalino antes da facoemulsificação, reduzindo a energia de ultrassom necessária

Vantagens: maior precisão no posicionamento da lente (especialmente relevante para lentes tóricas e multifocais), menor energia utilizada no olho, e tratamento de astigmatismo corneal na mesma etapa.

Quem indica: candidatos a lentes premium (multifocais, EDOF, tóricas de alto grau) se beneficiam mais da técnica, já que a precisão do posicionamento da lente é ainda mais crítica nesses casos.

Diferença de custo: a cirurgia assistida por laser tem custo adicional em relação à facoemulsificação convencional. Converse com o cirurgião sobre custo-benefício para o seu caso específico.

A recuperação imediata

  • Alta no mesmo dia, geralmente 30–60 minutos após o fim
  • Visão embaçada nas primeiras horas (dilatação + córnea se ajustando) — é esperado
  • Colírios de antibiótico e anti-inflamatório conforme a receita, sem pular horários
  • Retorno no dia seguinte para a primeira revisão
  • Melhora perceptível em 24–48h; estabilização ao longo de dias a semanas

Os cuidados completos — o que pode e o que não pode em cada fase — estão em pós-operatório da catarata, no guia de colírios no pós-operatório e em quantos dias de repouso.

Catarata bilateral: operando o segundo olho

A conduta padrão no Brasil — e recomendada pela maioria das diretrizes internacionais — é operar um olho de cada vez, com intervalo de dias a semanas entre os procedimentos.

Por que não no mesmo dia? Operar simultaneamente os dois olhos não é proibido, mas é evitado porque, caso surja qualquer infecção ou complicação no primeiro, o segundo permanece protegido. Além disso, o intervalo permite ajustar o cálculo da lente do segundo olho com base no resultado real do primeiro — o que aumenta a precisão, sobretudo em olhos com anatomia incomum.

Como é o período entre as cirurgias? É comum que o paciente note uma diferença considerável entre os olhos: o operado enxerga com clareza enquanto o outro ainda está com catarata. Isso pode causar leve desequilíbrio visual ou dificuldade de fusão binocular. Esse desconforto é temporário e some assim que o segundo olho também é operado.

O ajuste da segunda lente: se o resultado visual do primeiro olho ficou ligeiramente diferente do planejado — algo comum em olhos muito longos, muito curtos ou com córneas irregulares — o cirurgião pode recalcular a potência da segunda lente para otimizar o resultado binocular final.

Por que a técnica moderna mudou o jogo

Antigamente Hoje (facoemulsificação)
Incisão grande, com pontos ~2 mm, geralmente sem pontos
Internação Alta no mesmo dia
Recuperação de semanas Rotina leve em poucos dias
Óculos grossos depois Lente intraocular calculada para o seu olho
Anestesia geral frequente Colírio anestésico na maioria dos casos

É por isso que a cirurgia de catarata se tornou um dos procedimentos mais realizados e mais seguros da medicina — e a única forma de tratar catarata efetivamente (colírio não trata). Para entender mais, veja se catarata tem cura e o que esperar na recuperação dia a dia.

Pronto para dar o passo?

No Hospital da Catarata, a jornada completa acontece no mesmo lugar: exames pré-operatórios, cirurgia por facoemulsificação e retornos com a mesma equipe — com parcelamento em até 12x sem juros. Unidades na Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul). Agende sua avaliação pelo WhatsApp (11) 99437-5888 ou 0800 150 8005.

Perguntas frequentes

Como é feita a cirurgia de catarata?+

Pela técnica de facoemulsificação: com anestesia em colírio, o cirurgião faz uma microincisão de ~2 mm, fragmenta o cristalino opaco com ultrassom, aspira os fragmentos e implanta a lente intraocular definitiva. Em geral não há pontos — a incisão se sela sozinha.

A cirurgia de catarata dói?+

Não. A anestesia é feita com colírios (às vezes complementada com sedação leve), e o paciente fica acordado, sem dor — no máximo sente toques e vê luzes durante o procedimento.

Quanto tempo demora a cirurgia de catarata?+

O procedimento em si dura em torno de 10 a 20 minutos por olho. Com preparo e recuperação imediata, a passagem pelo centro cirúrgico costuma ficar entre 1 e 2 horas, com alta no mesmo dia.

Opera os dois olhos no mesmo dia?+

A conduta mais comum no Brasil é operar um olho de cada vez, com dias ou semanas de intervalo — garante segurança e ajuste fino da lente do segundo olho conforme o resultado do primeiro. O cirurgião define o intervalo ideal.

Quando a visão melhora depois da cirurgia?+

Muitos pacientes já notam diferença nas primeiras 24–48 horas. A visão segue estabilizando ao longo de dias a poucas semanas, conforme a cicatrização e a adaptação à lente intraocular.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 24 de junho de 2026.

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