Doenças Oculares

Descolamento do vítreo posterior (DVP): o que é e quando vira urgência

O descolamento do vítreo posterior é comum depois dos 50 e causa moscas volantes e flashes de luz. Quase sempre é benigno — mas em uma parte dos casos rasga a retina. Veja como diferenciar.

Equipe médica do Hospital da Catarata 31 de julho de 2026 5 min de leitura

Depois dos 50 anos, é comum aparecerem de repente pontinhos, fiapos ou teias flutuando na visão. Às vezes vêm junto com flashes de luz no canto do olho.

Na maioria das vezes isso tem uma explicação só: o descolamento do vítreo posterior, também chamado de DVP.

Ele não é grave (o termo médico é benigno) na esmagadora maioria dos casos. Mas começa exatamente com os mesmos sintomas de um problema que é urgência. É por isso que este texto existe.

O que acontece dentro do olho

O fundo do olho é preenchido por um gel transparente chamado vítreo. Quando a gente nasce, ele é firme e fica grudado na retina, que é a camada do fundo do olho que capta as imagens.

Com o passar dos anos, esse gel vai ficando mais líquido e encolhe. Em algum momento, ele se solta da superfície da retina.

Esse soltar é o descolamento do vítreo posterior. É um evento natural do envelhecimento do olho, não uma doença que a pessoa pegou por descuido.

A maioria das pessoas passa por ele em algum momento depois dos 50 anos. Acontece mais cedo em quem tem miopia alta, em quem já operou catarata e depois de pancadas no olho.

Os sintomas

Moscas volantes. São pontinhos, fiapos, teias de aranha ou um anel que flutuam na visão. Eles acompanham o movimento do olho com um pequeno atraso. Ficam mais visíveis contra fundo claro: parede branca, céu, tela de computador. Na prática, é a sombra que os pedacinhos do gel projetam lá no fundo do olho.

Flashes de luz. São clarões rápidos, geralmente no canto da visão e mais notados no escuro. Acontecem porque o vítreo, ao se soltar, puxa a retina. E a retina traduz qualquer estímulo como se fosse luz.

Os sintomas costumam ser mais intensos nos primeiros dias e vão perdendo força.

Por que isso exige um exame, mesmo não sendo grave

Aqui está o ponto que importa.

Ao se soltar, o vítreo pode estar grudado demais em algum ponto. Em vez de se desprender de forma limpa, ele rasga a retina.

Por esse rasgo passa líquido. Esse líquido se acumula por baixo e vai descolando a retina da parede do olho. Aí já é descolamento de retina, que é emergência e precisa de cirurgia.

Isso acontece numa minoria dos casos de DVP. Mas não existe jeito de saber pelos sintomas: os primeiros dias de um DVP simples e de um DVP com rasgo se parecem. Quem diferencia é o exame de fundo de olho com a pupila dilatada, feito no consultório.

A conduta prática é simples: sintoma novo, exame em dias.

Descolamento do vítreo Descolamento da retina
O que se solta o gel a própria retina
Frequência muito comum após os 50 bem menos comum
Gravidade não é grave na maioria emergência
Sintoma marcante moscas volantes e flashes sombra ou cortina no campo de visão
Tratamento em geral nenhum cirurgia (vitrectomia ou retinopexia)

Sinais que mudam a urgência

Procure atendimento no mesmo dia se surgir:

  • Uma sombra, cortina ou véu cobrindo parte do campo de visão
  • Chuva súbita de pontinhos pretos, muito mais do que antes
  • Queda da visão ou imagens tortas no centro
  • Flashes que aumentam de intensidade e de frequência em vez de diminuir

Esses são os sinais de que houve rasgo ou de que a retina começou a descolar.

O que é feito na consulta

O oftalmologista dilata a pupila com colírio e examina toda a retina. Ele dá atenção especial às bordas, que é onde os rasgos costumam acontecer.

O exame leva alguns minutos e não dói. Ele deixa a visão embaçada e sensível à luz por algumas horas — por isso não dirija depois de dilatar a pupila.

Três resultados possíveis:

  1. DVP sem rasgo. Nada a tratar. Costuma-se repetir o exame em algumas semanas, porque um rasgo pode aparecer depois de um primeiro exame normal.
  2. Rasgo sem descolamento. Tratado com laser no próprio consultório. O laser sela a área ao redor do rasgo e impede a passagem de líquido. É um procedimento rápido e sem internação.
  3. Descolamento de retina. Aí a indicação é cirúrgica. E o tempo até a cirurgia influencia o resultado.

Conviver com as moscas volantes

Depois de confirmado que a retina está inteira, a orientação para as moscas volantes é honesta: elas não somem por completo na maioria das pessoas. Mas incomodam cada vez menos.

Parte dos pedacinhos de gel se deposita fora do centro da visão. E o cérebro aprende a ignorar o resto, num processo chamado neuroadaptação. Em semanas a poucos meses, a maioria das pessoas diz que "esqueceu" que elas existem, mesmo ainda conseguindo vê-las se procurar.

Não existe colírio, vitamina ou exercício que dissolva moscas volantes.

Nos casos raros em que elas atrapalham de verdade a rotina e não passam depois de muitos meses, existem opções cirúrgicas. Elas são discutidas caso a caso, porque envolvem os riscos de uma cirurgia dentro do olho para tratar um sintoma que não é grave.

Se as moscas volantes são o que mais te incomoda, vale ler também o que são as moscas volantes e quando elas preocupam.


Resumindo o que importa: o descolamento do vítreo posterior é comum, esperado com a idade e quase sempre inofensivo. O que não dá é presumir que o seu caso é o comum sem alguém ter olhado o fundo do olho. Porque a minoria que rasga a retina começa exatamente igual.

O Hospital da Catarata é especializado em catarata e retina, com unidades na Lapa (Zona Oeste) e na Chácara Santo Antônio (Zona Sul), em São Paulo. Agende uma avaliação de retina.

Perguntas frequentes

O que é DVP nos olhos?+

DVP é a sigla de descolamento do vítreo posterior. É quando o gel que preenche o fundo do olho se solta da retina, algo que acontece naturalmente com a idade. Provoca moscas volantes e flashes de luz, e na maioria das pessoas é benigno e não precisa de tratamento.

Descolamento do vítreo é o mesmo que descolamento de retina?+

Não, e a diferença é importante. No descolamento do vítreo é o gel que se solta, o que é comum e geralmente benigno. No descolamento de retina é a própria retina que se solta da parede do olho, o que é uma emergência e exige cirurgia. O problema é que os dois começam com os mesmos sintomas — por isso o exame é necessário.

Qual é o tratamento do descolamento do vítreo?+

Na maioria dos casos, nenhum. O quadro é benigno e o cérebro se acostuma com as moscas volantes ao longo de semanas a meses. O que o oftalmologista faz é examinar o fundo do olho com a pupila dilatada para confirmar que a retina não rasgou. Se houver rasgo, aí sim há tratamento: laser, feito no consultório.

Quanto tempo duram as moscas volantes do DVP?+

Elas não desaparecem por completo na maioria das pessoas, mas incomodam cada vez menos. Parte se deposita fora do eixo da visão e o cérebro aprende a ignorar o resto. O incômodo costuma reduzir bastante em algumas semanas a poucos meses.

Descolamento do vítreo pode virar descolamento de retina?+

Pode. Ao se soltar, o vítreo pode puxar a retina com força suficiente para rasgá-la, e por esse rasgo passa líquido que descola a retina. É uma minoria dos casos, mas é justamente por causa dela que todo DVP com sintomas novos precisa de exame de fundo de olho.

Preciso ir ao médico com urgência se vejo moscas volantes?+

Se as moscas volantes ou os flashes de luz apareceram agora, ou pioraram de repente, sim — a avaliação deve ser feita em dias, não em meses. E se surgir uma sombra ou cortina em qualquer parte do campo de visão, ou uma chuva súbita de pontinhos, procure atendimento no mesmo dia.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 01 de agosto de 2026.

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