Vitrectomia: o que é, como é feita e quanto tempo leva a recuperação
Vitrectomia é a cirurgia que remove o gel do fundo do olho para tratar descolamento de retina, buraco de mácula e hemorragia. Veja como é feita, o que esperar da recuperação e quando a visão volta.
O fundo do olho é preenchido por um gel transparente chamado vítreo. Ele fica entre a lente natural do olho (o cristalino) e a retina, que é a camada que capta as imagens no fundo do olho.
Às vezes esse gel puxa a retina, enche de sangue ou impede o médico de chegar até uma lesão. Nesses casos, a solução costuma ser removê-lo. É isso que a vitrectomia faz.
Se você chegou aqui depois de um diagnóstico, este texto responde as perguntas na ordem em que elas costumam aparecer: o que é, por que foi indicada, como é feita, o que esperar da recuperação e quando a visão volta.
O que é a vitrectomia
É a cirurgia que remove o vítreo. O médico faz três aberturas muito pequenas na parte branca do olho e trabalha por dentro, com instrumentos bem finos.
Com o gel removido, o cirurgião chega direto à retina. Aí ele pode colocá-la de volta no lugar, retirar películas que cresceram sobre ela, fechar buracos ou aspirar sangue.
Ela é chamada de vitrectomia posterior porque age na parte de trás do olho, atrás do cristalino. O nome serve para diferenciar do que se faz na parte da frente.
No fim do procedimento, o espaço que era do vítreo é preenchido por outra substância: soro, uma bolha de gás ou óleo de silicone, conforme o caso.
O vítreo não volta a se formar. E não precisa: o próprio olho preenche o espaço com o líquido que produz. Viver sem o vítreo não prejudica a visão.
Quando a vitrectomia é indicada
As indicações mais frequentes:
- Descolamento de retina — a retina se soltou da parede do olho e precisa ser colocada de volta. É a mais urgente da lista.
- Buraco de mácula — uma abertura no centro da retina, que atrapalha a visão de detalhes.
- Membrana epirretiniana — uma película fina que cresce sobre o centro da retina e a enruga, entortando as imagens.
- Sangue dentro do gel do olho (hemorragia vítrea), que impede a visão. É comum na retinopatia diabética avançada.
- Retinopatia diabética em fase avançada (retinopatia diabética proliferativa), quando ela puxa a retina.
- Complicações da cirurgia de catarata, como pedaços do cristalino que caíram para o fundo do olho.
- Infecção dentro do olho (endoftalmite), em que remover o vítreo faz parte do tratamento.
Em vários desses casos, o tempo conta. No descolamento de retina, principalmente, cada dia importa para o resultado final.
Como a cirurgia é feita
Anestesia. Na maioria dos casos é anestesia local com sedação. O paciente não sente dor e costuma não se lembrar do procedimento. A anestesia geral fica reservada para situações específicas.
As aberturas. São feitas três aberturas de menos de um milímetro na parte branca do olho (a esclera). Uma serve para o líquido que mantém o olho com a pressão certa. Outra, para a luz. A terceira, para o instrumento que corta. As técnicas de hoje usam instrumentos tão finos que, em geral, nem precisam de pontos.
Remoção do vítreo. Um aparelho corta e aspira o gel aos poucos, de forma controlada. Assim ele libera o que estava puxando a retina.
O tratamento em si. Aqui muda conforme o diagnóstico: colocar a retina de volta no lugar, retirar películas com pinças delicadas, aplicar laser para selar rasgos, drenar líquido que ficou embaixo da retina.
O preenchimento. No fim, o cirurgião escolhe o que fica dentro do olho:
- Soro fisiológico, quando não é preciso pressionar nada.
- Gás, que forma uma bolha e pressiona a retina contra a parede do olho. O corpo absorve esse gás sozinho em algumas semanas. Ele exige que você fique numa posição específica e proíbe viagem de avião até ser absorvido por completo.
- Óleo de silicone, usado em casos mais complexos. Ele não é absorvido: fica por meses e sai numa segunda cirurgia.
A duração varia bastante. Vai de menos de uma hora, em casos simples, a várias horas nos casos complexos. É cirurgia de centro cirúrgico e, na maioria das vezes, o paciente vai para casa no mesmo dia.
A recuperação, semana a semana
Primeiras 24 a 48 horas. Olho tampado até a primeira revisão. Desconforto, sensação de areia e olho pesado são esperados. A visão fica bem embaçada. Se houver gás, é comum enxergar uma linha ondulada que se move — é a borda da bolha.
Primeira semana. Colírios em horários fixos: antibiótico, anti-inflamatório e, em alguns casos, remédio para a pressão do olho. Nada de esforço físico, levantar peso, molhar o olho no banho, piscina ou coçar. Se o médico indicou uma posição para você ficar, é nesta fase que ela é mais rigorosa.
Semanas 2 a 4. O desconforto diminui. A visão começa a clarear conforme o gás vai sendo absorvido. As revisões acontecem nos intervalos definidos pelo cirurgião. É nelas que se confirma se a retina está no lugar.
Um a três meses. Com gás, a absorção termina nesse período e a visão se estabiliza. Com óleo de silicone, a visão continua limitada até a retirada, que é programada conforme o caso.
O resultado final depende principalmente de duas coisas: o que foi tratado e como a retina estava antes. Um descolamento operado cedo, que não chegou a atingir o centro da visão, costuma se recuperar melhor. Um descolamento antigo, que já comprometeu o centro da retina, se recupera menos. É por isso que o tempo entre o sintoma e a cirurgia pesa tanto.
Sinais de alerta no pós-operatório
Procure atendimento imediatamente se aparecer:
- Dor forte que não cede com o remédio prescrito
- Piora súbita da visão depois de um período de melhora
- Aumento de flashes de luz ou de pontos escuros
- Uma sombra ou cortina em qualquer parte do campo de visão
- Olho muito vermelho com secreção de pus
Dor forte e piora súbita não fazem parte da recuperação normal.
Vitrectomia e catarata
Vale saber disso antes da cirurgia, porque quase ninguém avisa: a vitrectomia acelera o aparecimento da catarata. Na maioria dos adultos, principalmente acima dos 50 anos, a catarata aparece ou avança nos meses e anos seguintes. E acaba precisando de uma cirurgia própria.
Não é complicação. É uma evolução esperada, e tem solução simples. Em parte dos casos, os dois procedimentos são feitos na mesma cirurgia, o que evita uma segunda ida ao centro cirúrgico.
Perguntas que aparecem na consulta
Vou enxergar como antes? Depende do que foi tratado e de como a retina estava antes. A cirurgia costuma estabilizar ou recuperar parte da visão. Devolver exatamente a visão original nem sempre é possível, principalmente quando o centro da retina já estava comprometido.
Preciso operar os dois olhos? Não. A vitrectomia trata o olho doente. Algumas condições, porém, têm risco também no outro olho e exigem acompanhamento.
Depois de quantos dias posso trabalhar? Trabalho de escritório costuma ser retomado em uma a duas semanas, desde que não haja indicação de ficar numa posição específica. Atividade física e esforço são liberados mais tarde. Quem precisa ficar em posição específica costuma ficar afastado mais tempo.
A cirurgia pode ser refeita? Sim. Em parte dos casos é preciso operar uma segunda vez, seja para retirar o óleo de silicone, seja porque a retina voltou a descolar.
A vitrectomia é uma cirurgia delicada, mas rotineira em um serviço de retina. O que mais influencia o resultado é o tempo entre o diagnóstico e a cirurgia. Se você recebeu indicação, não deixe a decisão parada.
O Hospital da Catarata é especializado em catarata e retina, com unidades na Lapa (Zona Oeste) e na Chácara Santo Antônio (Zona Sul), em São Paulo. Conheça o hospital e agende uma avaliação.
Perguntas frequentes
O que é vitrectomia posterior?+
É a cirurgia que remove o vítreo — o gel transparente que preenche o fundo do olho — para dar acesso à retina. Chama-se posterior porque atua na câmara posterior, atrás do cristalino. É o procedimento base para tratar descolamento de retina, buraco de mácula, membrana epirretiniana e hemorragia vítrea.
A vitrectomia dói?+
A cirurgia é feita com anestesia local associada a sedação, e não dói durante o procedimento. No pós-operatório é comum sentir desconforto, sensação de areia e olho pesado por alguns dias, controlados com a medicação prescrita. Dor forte não faz parte da recuperação normal e deve ser comunicada imediatamente.
Quanto tempo demora para a visão voltar depois da vitrectomia?+
Depende do que foi tratado e de qual substância ficou dentro do olho. Nos primeiros dias a visão fica embaçada. Quando se usa gás, ela melhora conforme o gás é absorvido, o que leva de duas a oito semanas. Com óleo de silicone, a visão permanece limitada até a retirada. O resultado final depende principalmente do estado da retina antes da cirurgia.
Preciso ficar de cabeça baixa depois da cirurgia?+
Só em parte dos casos. O posicionamento é necessário quando se coloca gás dentro do olho e é preciso que a bolha pressione uma região específica da retina, como no buraco de mácula e em alguns descolamentos. A equipe informa a posição exata e por quantos dias. Quando não há gás, em geral não há restrição de posição.
Posso viajar de avião depois da vitrectomia?+
Não enquanto houver gás dentro do olho. A variação de pressão em altitude expande a bolha e pode elevar perigosamente a pressão intraocular. A liberação para voar só acontece depois que o médico confirma que o gás foi totalmente absorvido — o que costuma levar semanas.
Quem faz vitrectomia vai precisar operar catarata depois?+
É frequente. A vitrectomia acelera a formação de catarata na maioria dos adultos, principalmente acima dos 50 anos, e a cirurgia de catarata acaba sendo indicada meses ou anos depois. Em alguns casos os dois procedimentos são combinados no mesmo tempo cirúrgico.
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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 01 de agosto de 2026.