Tratamento do glaucoma em 2026: colírios, laser e cirurgia explicados
Glaucoma não tem cura, mas tem controle eficaz. Colírios, laser SLT e cirurgia minimamente invasiva (MIGS) — entenda como funciona cada etapa e o que esperar.
O glaucoma destrói fibras do nervo óptico e a visão perdida não volta — mas a progressão da doença pode ser completamente travada com o tratamento certo. O alvo único é a pressão intraocular: reduzi-la abaixo de um nível que o nervo suporta sem novas perdas.
Este guia detalha como funcionam os três pilares do tratamento — colírios, laser e cirurgia — e o que esperar de cada etapa.
Por que a pressão é o alvo central
A pressão intraocular normal fica entre 10 e 21 mmHg (milímetros de mercúrio). No glaucoma, ela passa disso — ou o nervo óptico é anormalmente vulnerável mesmo a pressões "normais" (glaucoma de pressão normal). Em ambos os casos, reduzir a pressão é a única forma comprovada de frear a doença.
Cada paciente tem uma pressão-alvo individual: o valor que, segundo os exames, mantém o nervo estável. Esse alvo pode precisar de ajuste ao longo do acompanhamento.
1. Colírios: a primeira linha de tratamento
Para a maioria dos pacientes, o tratamento começa com um colírio hipotensor. Há quatro classes principais, com mecanismos diferentes:
Análogos de prostaglandina (mais prescritos)
- Como funcionam: aumentam a drenagem do líquido ocular pela via uveoescleral.
- Exemplos: latanoprosta, travoprosta, bimatoprosta, tafluprost
- Frequência: geralmente 1 gota à noite (comodidade alta)
- Redução de pressão: 25–35% (mais potentes da classe)
- Efeitos possíveis: escurecimento da íris (irreversível), crescimento e escurecimento dos cílios, vermelhidão passageira
Betabloqueadores
- Como funcionam: reduzem a produção do humor aquoso.
- Exemplos: timolol, betaxolol
- Frequência: 1–2 vezes ao dia
- Atenção: contraindicados em asma, bloqueios cardíacos e bradicardia; podem causar cansaço, falta de ar e redução da frequência cardíaca mesmo em colírio
Inibidores da anidrase carbônica
- Como funcionam: diminuem a produção do humor aquoso por outra via.
- Exemplos: dorzolamida, brinzolamida (em colírio); acetazolamida (oral, casos especiais)
- Efeitos: gosto amargo, formigamento nas extremidades (na versão oral)
Agonistas alfa-adrenérgicos
- Exemplo: brimonidina
- Como funcionam: reduzem a produção e aumentam a drenagem
- Uso frequente em combinação com outras classes
Combinações fixas
Quando um colírio não basta, frequentemente prescrevem-se combinações fixas (ex.: timolol + dorzolamida, timolol + brimonidina), que reduzem o número de frascos e facilitam a adesão — que é o fator que mais influencia o sucesso a longo prazo.
Dica prática: aplique sempre no horário, espere 5 minutos entre colírios diferentes e, após pingar, pressione o canto interno do olho por 1–2 minutos para reduzir absorção sistêmica.
2. Laser: alternativa eficaz ao colírio
SLT — Trabeculoplastia Seletiva a Laser
O SLT é hoje a principal opção de laser para o glaucoma de ângulo aberto:
- Estimula células da malha trabecular a drenar melhor o líquido
- É feito em consultório, dura cerca de 10 minutos
- Sem cortes, sem anestesia geral, apenas colírio anestésico
- Reduz a pressão em 20–30%, às vezes eliminando ou reduzindo o colírio
- O efeito dura em média 3 a 5 anos e o procedimento pode ser repetido
- Cada vez mais utilizado como tratamento de primeira linha em estudos recentes (estudo LiGHT, 2019)
Iridotomia periférica a laser (IP)
Indicada para o glaucoma de ângulo fechado (e para prevenir crises em olhos com ângulo estreito):
- Cria uma abertura na íris para melhorar o fluxo do humor aquoso
- Procedimento ambulatorial, rápido e indolor
- Muitas vezes elimina o risco de crise aguda definitivamente
3. Cirurgia: quando colírios e laser não bastam
A cirurgia é indicada quando a pressão não se controla com tratamento clínico, quando o glaucoma progride apesar do tratamento ou quando o paciente não consegue usar os colírios corretamente.
Trabeculectomia (cirurgia filtrante clássica)
Cria uma nova via de drenagem sob a conjuntiva, formando uma "bolha" (ampola de filtração). É a cirurgia mais eficaz para reduzir a pressão, usada há décadas. Exige cuidados no pós-operatório e acompanhamento próximo no primeiro mês.
Implantes de drenagem (tubos)
Um tubinho direciona o líquido do interior do olho para uma placa no exterior. Indicado em casos mais complexos, como glaucoma neovascular, pós-trauma ou falha de cirurgia prévia.
MIGS — Cirurgias Minimamente Invasivas para Glaucoma
Uma família de procedimentos mais novos, realizados com microinstrumentos por incisões menores que 1 mm:
- iStent, Hydrus, Kahook Dual Blade — entre os dispositivos disponíveis
- Geralmente realizados junto com a cirurgia de catarata
- Menor redução de pressão que a trabeculectomia, mas muito menos complicações
- Excelente para pacientes com glaucoma leve a moderado que vão operar a catarata
Acompanhamento: o tratamento não termina na consulta
O glaucoma é uma doença de acompanhamento longo. Os exames de rotina são:
- Tonometria — mede a pressão a cada consulta
- Campimetria (campo visual) — mapa da visão periférica; detecta progressão
- OCT do nervo óptico — mede as fibras do nervo e identifica perda antes que apareça no campo visual
A frequência padrão é a cada 3 a 6 meses. Se a doença estiver estável por 2+ anos, as consultas podem ser anuais. Se houver progressão, o acompanhamento se intensifica e o tratamento é ajustado.
Vivendo com glaucoma
O diagnóstico de glaucoma costuma assustar — mas a grande maioria dos pacientes que trata corretamente preserva a visão funcional pela vida toda. Alguns pontos práticos:
- Informe qualquer médico que for te atender sobre o glaucoma (medicamentos sistêmicos podem interferir)
- Corticoides (em qualquer forma) podem elevar a pressão ocular — sempre informe ao oftalmologista se precisar usar
- Não abandone o tratamento em períodos de férias ou quando a vida está corrida — o glaucoma não "dá uma pausa"
- Filhos e irmãos acima de 35–40 anos devem fazer exame preventivo, dado o componente genético
Se você ainda não tem diagnóstico mas tem fatores de risco, leia o guia completo sobre o que é glaucoma e pressão ocular alta. O Hospital da Catarata realiza tonometria, OCT e campo visual nas unidades Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul) — agende pelo WhatsApp (11) 99437-5888.
Perguntas frequentes
Glaucoma tem cura?+
O glaucoma não tem cura: a visão já perdida não retorna. Mas tem controle eficaz — colírios, laser e cirurgia reduzem a pressão intraocular e impedem que a doença progrida. Com diagnóstico precoce e tratamento contínuo, a maioria dos pacientes preserva a visão por toda a vida.
O colírio para glaucoma precisa ser usado para sempre?+
Na maioria dos casos, sim. O glaucoma é crônico, e a pressão sobe novamente ao interromper o colírio. Abandonar o tratamento pode levar à progressão silenciosa e irreversível da doença. Efeitos colaterais que incomodam devem ser discutidos com o médico — há alternativas.
O laser para glaucoma elimina o colírio?+
Pode, em parte dos pacientes. O laser SLT (trabeculoplastia seletiva) reduz a pressão e pode substituir ou reduzir a necessidade de colírio, mas o efeito costuma durar alguns anos e o procedimento pode ser repetido. A decisão é individual.
A cirurgia de glaucoma melhora a visão?+
Não. O objetivo da cirurgia é reduzir a pressão para frear a perda de fibras nervosas — preservar o que ainda existe, não recuperar o que foi perdido. Por isso o tratamento precoce, antes de grandes perdas, é tão importante.
Quem tem glaucoma pode fazer cirurgia de catarata?+
Sim. As duas condições são frequentemente tratadas juntas. Em alguns casos, a cirurgia de catarata ajuda a baixar a pressão ocular. A avaliação individual define a melhor estratégia.
Glaucoma de pressão normal tem tratamento?+
Sim. Mesmo sem pressão elevada, o tratamento busca baixar ainda mais a pressão para proteger o nervo já vulnerável. Colírios são a primeira linha, às vezes seguidos de laser ou cirurgia.
Com que frequência preciso fazer exames de acompanhamento?+
Em geral, a cada 3 a 6 meses — com tonometria, campo visual e OCT. Pacientes estáveis podem ir espaçando as consultas; aqueles com doença em progressão precisam de acompanhamento mais frequente.
Os colírios para glaucoma causam problemas nos olhos?+
Podem causar olho seco, vermelhidão e escurecimento da íris/cílios com alguns tipos. Efeitos sistêmicos também existem: betabloqueadores em colírio podem afetar frequência cardíaca e pressão arterial em pacientes sensíveis. Informe seu histórico médico ao médico prescritor.
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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 29 de junho de 2026.