Injeção intravítrea: o que é, para que serve e como é feita
A injeção intravítrea trata DMRI úmida, edema macular diabético e oclusões de retina. Entenda os medicamentos (anti-VEGF), o procedimento passo a passo e o que esperar.
A injeção intravítrea é um dos maiores avanços da oftalmologia das últimas décadas. Ela permite entregar um medicamento diretamente dentro do olho — no humor vítreo — em concentrações que não seriam possíveis com colírios ou comprimidos. O resultado: tratamento eficaz para doenças da retina que, antes dela, levavam à perda visual inevitável.
Para que serve a injeção intravítrea
O tratamento é indicado principalmente para condições que afetam os vasos da retina e da mácula:
| Doença | Por que a injeção ajuda |
|---|---|
| DMRI úmida | Seca os vasos anormais sob a mácula e reduz o líquido |
| Edema macular diabético (EMD) | Reduz o inchaço na mácula causado pelo diabetes |
| Oclusão de veia central da retina (OVCR) | Controla o edema e os vazamentos após a "trombose" retiniana |
| Oclusão de ramo venoso (ORVR) | Similar ao OVCR, em área mais localizada |
| Retinopatia diabética proliferativa | Freia vasos anormais (anti-VEGF como adjuvante) |
| Edema macular cistóide pós-operatório | Após cirurgia de catarata em casos específicos |
Os medicamentos: o que é anti-VEGF e como funciona
O VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) é uma proteína que estimula o crescimento de vasos sanguíneos. Na retina doente, o VEGF em excesso causa dois problemas:
- Crescimento de vasos anormais e frágeis (neovascularização)
- Vazamento de líquido desses vasos → edema macular
Os anti-VEGF bloqueiam essa proteína, secando os vasos anormais e reduzindo o edema.
Os principais fármacos disponíveis no Brasil
Ranibizumabe (Lucentis®)
- Fragmento de anticorpo especificamente desenvolvido para o olho
- Aprovado para DMRI úmida, EMD e oclusões
- Dose: 0,5 mg em 0,05 mL
Aflibercept (Eylea®)
- "Armadilha" que neutraliza VEGF-A, VEGF-B e PlGF com alta afinidade
- Vantagem: doses mais espaçadas após a fase inicial (a cada 2 meses)
- Dose: 2 mg em 0,05 mL
Bevacizumabe (Avastin®) — uso off-label
- Anticorpo completo originalmente aprovado para câncer
- Muito usado no Brasil e no mundo pela eficácia similar e custo menor
- Sem aprovação regulatória para uso ocular, mas com vasta evidência de segurança
- Dose: 1,25 mg em 0,05 mL
Faricimabe (Vabysmo®) — mais recente
- Primeira molécula a atacar dois alvos: VEGF-A e Ang-2 (angiopoetina-2)
- Intervalos ainda mais longos: até cada 4 meses em pacientes responsivos
- Dose: 6 mg em 0,05 mL
Triancinolona / Dexametasona (Ozurdex®) — corticoides
- Indicados quando anti-VEGF não é suficiente, especialmente em oclusões vasculares
- O implante de dexametasona (Ozurdex) libera o medicamento por 3 a 6 meses
Como é feita a injeção: passo a passo
O procedimento é ambulatorial e dura em torno de 15 a 20 minutos no total (incluindo preparo):
1. Dilatação da pupila (se necessário) Colírios são pingados cerca de 30 minutos antes para examinar a retina após o procedimento.
2. Anestesia local com colírio Um colírio anestésico insensibiliza o olho. Não há injeção anestésica nem anestesia geral.
3. Antissepsia Solução de iodopovidona é aplicada na superfície ocular para eliminar bactérias — etapa fundamental para prevenir infecção.
4. Posicionamento do pálpebra Um pequeno afastador (blefarostato) mantém o olho aberto durante o procedimento.
5. A aplicação Uma agulha muito fina (23–30G) é inserida na parte branca do olho (esclera), a 3,5–4 mm da borda da córnea. O medicamento é injetado no vítreo. Dura literalmente poucos segundos.
6. Exame pós-aplicação O médico verifica a pressão e examina o olho para confirmar que está bem.
7. Orientações e liberação Você vai para casa em seguida, com orientações de cuidado.
O que sentir após a injeção
Nas primeiras horas:
- Sensação de areia ou leve ardência (normal)
- Lacrimejamento
- Leve vermelhidão no branco do olho
- Pequenas sombras flutuantes (o medicamento no vítreo)
- Mancha vermelha no branco do olho (hemorragia subconjuntival) — some em 1–2 semanas
O que evitar:
- Esfregar o olho por 48 horas
- Piscina, mar ou banho de banheira por 1 semana
- Uso de lente de contato no dia da aplicação
Sinais de alerta (contate a clínica imediatamente):
- Dor ocular intensa
- Piora significativa ou súbita da visão
- Vermelhidão crescente com secreção
- Olho vermelho e muito doloroso nos dias seguintes
Esses sinais podem indicar endoftalmite — raríssima (<0,05%), mas emergência que exige tratamento urgente.
Quantas injeções e por quanto tempo?
Essa é a pergunta que mais preocupa os pacientes. A resposta honesta é: varia muito — pela doença, pelo fármaco e pela resposta individual.
Protocolos mais comuns:
- Fase de carga: 3 injeções mensais consecutivas (ranibizumabe/bevacizumabe) ou 3 a cada 4 semanas (aflibercept) — para "saturar" o efeito rapidamente
- Manutenção: conforme a resposta vista na OCT a cada consulta
- PRN (pro re nata / conforme necessidade): aplica quando a OCT mostra líquido; reavaliar mensalmente
- Treat-and-extend: aplica sempre, mas vai espaçando o intervalo 2 semanas de cada vez até encontrar o limite
Na prática, a maioria dos pacientes com DMRI úmida recebe 6 a 10 injeções no primeiro ano e menos nos anos seguintes. Com faricimabe, alguns chegam a intervalos de 4 meses.
A OCT como bússola do tratamento
Cada retorno inclui uma OCT da mácula para medir o edema. Se a mácula estiver seca, o médico pode espaçar a próxima dose. Se ainda houver líquido, a injeção é mantida. Esse ciclo de tratar-e-avaliar é o que define o calendário individualizado de cada paciente.
O tratamento funciona?
Os dados de estudos clínicos de grande porte (MARINA, ANCHOR, CATT, PROTOCOL T) mostram:
- Na DMRI úmida, anti-VEGF estabilizou ou melhorou a visão em ~90% dos pacientes
- No edema macular diabético, 30–40% melhoram 3 linhas de visão ou mais; a maioria estabiliza
- Abandonar o tratamento aumenta muito o risco de recidiva
A adesão ao calendário de injeções é o fator que mais influencia o resultado — não o fármaco escolhido.
Injeção intravítrea em São Paulo
O Hospital da Catarata realiza injeções intravítreas nas unidades Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul), com protocolo de biossegurança rigoroso e acompanhamento por OCT em cada retorno.
Se você tem DMRI, diabetes com alteração visual ou foi encaminhado para tratamento de retina, agende avaliação:
- WhatsApp: (11) 99437-5888
- Telefone: 0800 150 8005
Perguntas frequentes
A injeção intravítrea dói?+
O procedimento é feito com colírio anestésico. A maioria dos pacientes relata pouco ou nenhum desconforto — pode haver leve sensação de pressão no momento da aplicação e ardência discreta por algumas horas. Dor intensa não é esperada e deve ser comunicada.
Quantas injeções intravítreas serão necessárias?+
Depende da doença e da resposta individual. Na DMRI úmida e no edema macular diabético, o protocolo padrão começa com 3 a 6 injeções mensais (fase de carga), seguidas de doses de manutenção. O espaçamento é ajustado pelos exames de OCT a cada retorno.
É perigoso tomar injeção no olho?+
É um procedimento seguro quando feito em ambiente adequado com técnica estéril. A principal complicação grave é endoftalmite (infecção interna do olho), ocorrendo em menos de 0,05% das injeções em centros especializados. Os benefícios superam amplamente os riscos.
Posso voltar às atividades no mesmo dia após a injeção?+
Em geral, sim. A visão pode ficar levemente embaçada por algumas horas e o olho pode lacrimejar. Evite esfregar o olho, piscina e natação por 1 semana. Não é necessário afastar do trabalho.
Qual a diferença entre ranibizumabe, aflibercept e bevacizumabe?+
Os três são anti-VEGF (bloqueiam o mesmo alvo), mas com moléculas e potências diferentes. Ranibizumabe e aflibercept são aprovados especificamente para uso ocular; bevacizumabe é usado off-label (indicação não registrada na bula) com segurança similar. Aflibercept e o mais novo faricimabe permitem intervalos maiores entre as doses.
A injeção intravítrea melhora a visão?+
Frequentemente sim, especialmente no edema macular diabético e na DMRI úmida. Estudos mostram que em torno de 30–40% dos pacientes melhoram 3 linhas ou mais na tabela visual. Para outros, o objetivo é estabilizar — impedir que a visão piore mais. Os resultados individuais variam.
Quanto custa a injeção intravítrea no Brasil?+
Varia conforme o medicamento e o serviço. Beverizumabe off-label pode custar de R$ 500 a R$ 900 por aplicação; ranibizumabe e aflibercept originais são mais caros. Planos de saúde costumam cobrir com TUSS aprovado; pelo SUS há disponibilidade em alguns centros de referência.
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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 29 de junho de 2026.