Tratamentos

Injeção intravítrea: o que é, para que serve e como é feita

A injeção intravítrea trata DMRI úmida, edema macular diabético e oclusões de retina. Entenda os medicamentos (anti-VEGF), o procedimento passo a passo e o que esperar.

Equipe médica do Hospital da Catarata 05 de maio de 2026 5 min de leitura

A injeção intravítrea é um dos maiores avanços da oftalmologia das últimas décadas. Ela permite entregar um medicamento diretamente dentro do olho — no humor vítreo — em concentrações que não seriam possíveis com colírios ou comprimidos. O resultado: tratamento eficaz para doenças da retina que, antes dela, levavam à perda visual inevitável.

Para que serve a injeção intravítrea

O tratamento é indicado principalmente para condições que afetam os vasos da retina e da mácula:

Doença Por que a injeção ajuda
DMRI úmida Seca os vasos anormais sob a mácula e reduz o líquido
Edema macular diabético (EMD) Reduz o inchaço na mácula causado pelo diabetes
Oclusão de veia central da retina (OVCR) Controla o edema e os vazamentos após a "trombose" retiniana
Oclusão de ramo venoso (ORVR) Similar ao OVCR, em área mais localizada
Retinopatia diabética proliferativa Freia vasos anormais (anti-VEGF como adjuvante)
Edema macular cistóide pós-operatório Após cirurgia de catarata em casos específicos

Os medicamentos: o que é anti-VEGF e como funciona

O VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) é uma proteína que estimula o crescimento de vasos sanguíneos. Na retina doente, o VEGF em excesso causa dois problemas:

  1. Crescimento de vasos anormais e frágeis (neovascularização)
  2. Vazamento de líquido desses vasos → edema macular

Os anti-VEGF bloqueiam essa proteína, secando os vasos anormais e reduzindo o edema.

Os principais fármacos disponíveis no Brasil

Ranibizumabe (Lucentis®)

  • Fragmento de anticorpo especificamente desenvolvido para o olho
  • Aprovado para DMRI úmida, EMD e oclusões
  • Dose: 0,5 mg em 0,05 mL

Aflibercept (Eylea®)

  • "Armadilha" que neutraliza VEGF-A, VEGF-B e PlGF com alta afinidade
  • Vantagem: doses mais espaçadas após a fase inicial (a cada 2 meses)
  • Dose: 2 mg em 0,05 mL

Bevacizumabe (Avastin®) — uso off-label

  • Anticorpo completo originalmente aprovado para câncer
  • Muito usado no Brasil e no mundo pela eficácia similar e custo menor
  • Sem aprovação regulatória para uso ocular, mas com vasta evidência de segurança
  • Dose: 1,25 mg em 0,05 mL

Faricimabe (Vabysmo®) — mais recente

  • Primeira molécula a atacar dois alvos: VEGF-A e Ang-2 (angiopoetina-2)
  • Intervalos ainda mais longos: até cada 4 meses em pacientes responsivos
  • Dose: 6 mg em 0,05 mL

Triancinolona / Dexametasona (Ozurdex®) — corticoides

  • Indicados quando anti-VEGF não é suficiente, especialmente em oclusões vasculares
  • O implante de dexametasona (Ozurdex) libera o medicamento por 3 a 6 meses

Como é feita a injeção: passo a passo

O procedimento é ambulatorial e dura em torno de 15 a 20 minutos no total (incluindo preparo):

1. Dilatação da pupila (se necessário) Colírios são pingados cerca de 30 minutos antes para examinar a retina após o procedimento.

2. Anestesia local com colírio Um colírio anestésico insensibiliza o olho. Não há injeção anestésica nem anestesia geral.

3. Antissepsia Solução de iodopovidona é aplicada na superfície ocular para eliminar bactérias — etapa fundamental para prevenir infecção.

4. Posicionamento do pálpebra Um pequeno afastador (blefarostato) mantém o olho aberto durante o procedimento.

5. A aplicação Uma agulha muito fina (23–30G) é inserida na parte branca do olho (esclera), a 3,5–4 mm da borda da córnea. O medicamento é injetado no vítreo. Dura literalmente poucos segundos.

6. Exame pós-aplicação O médico verifica a pressão e examina o olho para confirmar que está bem.

7. Orientações e liberação Você vai para casa em seguida, com orientações de cuidado.

O que sentir após a injeção

Nas primeiras horas:

  • Sensação de areia ou leve ardência (normal)
  • Lacrimejamento
  • Leve vermelhidão no branco do olho
  • Pequenas sombras flutuantes (o medicamento no vítreo)
  • Mancha vermelha no branco do olho (hemorragia subconjuntival) — some em 1–2 semanas

O que evitar:

  • Esfregar o olho por 48 horas
  • Piscina, mar ou banho de banheira por 1 semana
  • Uso de lente de contato no dia da aplicação

Sinais de alerta (contate a clínica imediatamente):

  • Dor ocular intensa
  • Piora significativa ou súbita da visão
  • Vermelhidão crescente com secreção
  • Olho vermelho e muito doloroso nos dias seguintes

Esses sinais podem indicar endoftalmite — raríssima (<0,05%), mas emergência que exige tratamento urgente.

Quantas injeções e por quanto tempo?

Essa é a pergunta que mais preocupa os pacientes. A resposta honesta é: varia muito — pela doença, pelo fármaco e pela resposta individual.

Protocolos mais comuns:

  • Fase de carga: 3 injeções mensais consecutivas (ranibizumabe/bevacizumabe) ou 3 a cada 4 semanas (aflibercept) — para "saturar" o efeito rapidamente
  • Manutenção: conforme a resposta vista na OCT a cada consulta
    • PRN (pro re nata / conforme necessidade): aplica quando a OCT mostra líquido; reavaliar mensalmente
    • Treat-and-extend: aplica sempre, mas vai espaçando o intervalo 2 semanas de cada vez até encontrar o limite

Na prática, a maioria dos pacientes com DMRI úmida recebe 6 a 10 injeções no primeiro ano e menos nos anos seguintes. Com faricimabe, alguns chegam a intervalos de 4 meses.

A OCT como bússola do tratamento

Cada retorno inclui uma OCT da mácula para medir o edema. Se a mácula estiver seca, o médico pode espaçar a próxima dose. Se ainda houver líquido, a injeção é mantida. Esse ciclo de tratar-e-avaliar é o que define o calendário individualizado de cada paciente.

O tratamento funciona?

Os dados de estudos clínicos de grande porte (MARINA, ANCHOR, CATT, PROTOCOL T) mostram:

  • Na DMRI úmida, anti-VEGF estabilizou ou melhorou a visão em ~90% dos pacientes
  • No edema macular diabético, 30–40% melhoram 3 linhas de visão ou mais; a maioria estabiliza
  • Abandonar o tratamento aumenta muito o risco de recidiva

A adesão ao calendário de injeções é o fator que mais influencia o resultado — não o fármaco escolhido.

Injeção intravítrea em São Paulo

O Hospital da Catarata realiza injeções intravítreas nas unidades Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul), com protocolo de biossegurança rigoroso e acompanhamento por OCT em cada retorno.

Se você tem DMRI, diabetes com alteração visual ou foi encaminhado para tratamento de retina, agende avaliação:

  • WhatsApp: (11) 99437-5888
  • Telefone: 0800 150 8005

Perguntas frequentes

A injeção intravítrea dói?+

O procedimento é feito com colírio anestésico. A maioria dos pacientes relata pouco ou nenhum desconforto — pode haver leve sensação de pressão no momento da aplicação e ardência discreta por algumas horas. Dor intensa não é esperada e deve ser comunicada.

Quantas injeções intravítreas serão necessárias?+

Depende da doença e da resposta individual. Na DMRI úmida e no edema macular diabético, o protocolo padrão começa com 3 a 6 injeções mensais (fase de carga), seguidas de doses de manutenção. O espaçamento é ajustado pelos exames de OCT a cada retorno.

É perigoso tomar injeção no olho?+

É um procedimento seguro quando feito em ambiente adequado com técnica estéril. A principal complicação grave é endoftalmite (infecção interna do olho), ocorrendo em menos de 0,05% das injeções em centros especializados. Os benefícios superam amplamente os riscos.

Posso voltar às atividades no mesmo dia após a injeção?+

Em geral, sim. A visão pode ficar levemente embaçada por algumas horas e o olho pode lacrimejar. Evite esfregar o olho, piscina e natação por 1 semana. Não é necessário afastar do trabalho.

Qual a diferença entre ranibizumabe, aflibercept e bevacizumabe?+

Os três são anti-VEGF (bloqueiam o mesmo alvo), mas com moléculas e potências diferentes. Ranibizumabe e aflibercept são aprovados especificamente para uso ocular; bevacizumabe é usado off-label (indicação não registrada na bula) com segurança similar. Aflibercept e o mais novo faricimabe permitem intervalos maiores entre as doses.

A injeção intravítrea melhora a visão?+

Frequentemente sim, especialmente no edema macular diabético e na DMRI úmida. Estudos mostram que em torno de 30–40% dos pacientes melhoram 3 linhas ou mais na tabela visual. Para outros, o objetivo é estabilizar — impedir que a visão piore mais. Os resultados individuais variam.

Quanto custa a injeção intravítrea no Brasil?+

Varia conforme o medicamento e o serviço. Beverizumabe off-label pode custar de R$ 500 a R$ 900 por aplicação; ranibizumabe e aflibercept originais são mais caros. Planos de saúde costumam cobrir com TUSS aprovado; pelo SUS há disponibilidade em alguns centros de referência.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 29 de junho de 2026.

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