Retinopatia diabética: sintomas, 4 estágios e tratamentos em 2026
A retinopatia diabética é silenciosa e a principal causa de cegueira em adultos. Entenda os 4 estágios, sintomas de alerta, injeções intravítreas, laser e quando operar.
A retinopatia diabética é silenciosa, progressiva e a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva no Brasil e no mundo. Um em cada três diabéticos tem algum grau da doença — e metade deles não sabe. O problema: quando os sintomas aparecem, o dano já pode ser extenso.
A boa notícia: com rastreamento regular e tratamento oportuno, a visão pode ser preservada na grande maioria dos casos.
Por que o diabetes afeta a retina
O excesso crônico de glicose no sangue danifica os microvasos da retina — a camada fotossensível que forra o fundo do olho. Com o tempo, esses vasos:
- Vazam líquido e proteínas → edema e exsudatos na retina
- Fecham → áreas sem circulação (isquemia retiniana)
- Crescem de forma anormal → novos vasos frágeis que sangram com facilidade
O resultado é uma cascata que vai do embaçamento discreto até a hemorragia intraocular, o descolamento de retina e a cegueira.
Os 4 estágios da retinopatia diabética
Estágio 1: Retinopatia não proliferativa leve (RDNP leve)
Microaneurismas — pequenas dilatações nas paredes dos vasos. Visíveis ao fundo de olho, mas sem sintoma para o paciente. Tratamento: controle clínico rigoroso (glicemia, pressão, colesterol) + revisão anual.
Estágio 2–3: Retinopatia não proliferativa moderada e grave (RDNP moderada/grave)
Mais microaneurismas, hemorragias pontuais, exsudatos, veias tortuosas. A isquemia começa a comprometer áreas maiores. Pode ser assintomático ou ter leve embaçamento. Tratamento: acompanhamento mais frequente (a cada 3–6 meses) e, se houver edema macular, injeções intravítreas.
Estágio 3: Edema macular diabético (EMD) — pode ocorrer em qualquer fase
O acúmulo de líquido na mácula (centro da retina, responsável pela leitura e visão de detalhes) é a principal causa de perda visual no diabético. Pode ocorrer em qualquer estágio da retinopatia. A OCT é o exame que detecta e quantifica o edema com precisão. Tratamento: injeções intravítreas de anti-VEGF (ou corticoide).
Estágio 4: Retinopatia proliferativa (RDP)
O estágio mais grave. A isquemia estimula o crescimento de vasos anormais e frágeis (neovascularização) no vítreo e na superfície da retina. Esses vasos podem:
- Sangrar → hemorragia vítrea (perda visual súbita)
- Criar membranas que puxam a retina → descolamento de retina tracional
Tratamento: injeções anti-VEGF + laser panretiniano (fotocoagulação) + vitrectomia nos casos avançados.
Sintomas: quando o silêncio se quebra
A retinopatia não proliferativa e o edema macular inicial costumam ser completamente silenciosos. Os sintomas surgem quando a doença avança:
- Visão embaçada que varia ao longo do dia (sinal de edema macular)
- Moscas volantes novas — podem indicar hemorragia vítrea incipiente
- Manchas escuras ou "tela" no campo visual — hemorragia vítrea
- Linhas tortas ou distorção de imagens — edema macular
- Perda súbita de visão — emergência (hemorragia maciça ou descolamento)
Regra prática: não espere sintomas. O fundo de olho anual é o único rastreamento eficaz.
Diagnóstico: o que cada exame avalia
| Exame | O que mostra |
|---|---|
| Fundoscopia / mapeamento de retina | Vasos, microaneurismas, hemorragias, neovascularização |
| OCT (tomografia de retina) | Edema macular em corte de alta resolução; guia as injeções |
| Angiofluoresceinografia | Vazamentos e áreas de isquemia; mapeia onde aplicar o laser |
| Retinografia | Foto da retina para comparar com exames anteriores |
O acompanhamento padrão usa fundoscopia + OCT. A angiografia é pedida quando o médico precisa mapear com precisão os vazamentos ou a extensão da isquemia.
Tratamentos disponíveis em 2026
Injeções intravítreas de anti-VEGF — padrão-ouro para o edema macular
Os medicamentos anti-VEGF bloqueiam o VEGF (fator de crescimento vascular endotelial) — a proteína que estimula o crescimento de vasos anormais e o vazamento de líquido.
Fármacos disponíveis:
- Ranibizumabe (Lucentis) — aprovado especificamente para RD
- Aflibercept (Eylea) — alta potência, doses menos frequentes com o tempo
- Bevacizumabe (Avastin) — uso off-label, amplamente usado no Brasil por custo menor
- Faricimabe (Vabysmo) — o mais novo, atua em dois alvos (VEGF e Ang-2), doses ainda mais espaçadas
Protocolo típico: 3–6 injeções mensais iniciais (fase de carga), depois manutenção com intervalos progressivamente maiores (PRN ou treat-and-extend), guiada pela OCT.
O procedimento é ambulatorial, dura poucos minutos e a maioria dos pacientes sente mínimo desconforto. Saiba mais em como funciona a injeção intravítrea.
Fotocoagulação a laser
- Focal/em grade: para edema macular (menos usada desde os anti-VEGF dominaram)
- Panretiniana: para retinopatia proliferativa — queima as áreas isquêmicas e reduz o estímulo para neovascularização. Pode causar perda de campo visual periférico, mas salva a visão central
Vitrectomia
Cirurgia indicada em hemorragia vítrea densa que não reabsorve, membranas tracionais e descolamento de retina. Remove o gel vítreo, as membranas e posiciona a retina novamente. Saiba mais em cirurgia de retina em SP.
Controle sistêmico: a base de tudo
Nenhum tratamento ocular funciona bem sem controle da doença de base:
| Meta | Por que importa |
|---|---|
| HbA1c < 7% (ou meta individualizada) | Controle glicêmico; estudo DCCT: –76% de risco de progressão grave |
| Pressão arterial < 130/80 mmHg | Hipertensão agrava a retinopatia |
| LDL colesterol em meta | Exsudatos duros (depósitos de lipídios na retina) se associam a colesterol elevado |
| Não fumar | Tabagismo piora a isquemia retiniana |
| Evitar oscilações bruscas de glicemia | Melhora súbita no controle também pode precipitar progressão temporária |
Quando e com que frequência examinar
- Diabético tipo 1: exame de fundo de olho 5 anos após o diagnóstico, depois anual
- Diabético tipo 2: exame no diagnóstico (pode já ter retinopatia) e depois anual
- Gestantes diabéticas: no início da gestação e a cada trimestre
- Retinopatia já detectada: a cada 3–6 meses, ou conforme indicação do retinólogo
Um único exame de fundo de olho não basta para toda a vida. Diabéticos são pacientes de acompanhamento perpétuo.
Retinopatia diabética em São Paulo
O Hospital da Catarata tem equipe especializada em retina, com OCT, mapeamento de retina, angiofluoresceinografia e realização de injeções intravítreas nas unidades Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul).
Se você tem diabetes e está há mais de um ano sem exame de retina — ou notou qualquer alteração visual — agende avaliação pelo WhatsApp (11) 99437-5888 ou pelo 0800 150 8005.
Perguntas frequentes
Todo diabético desenvolve retinopatia?+
Não necessariamente, mas o risco cresce com o tempo de diabetes e com o mau controle da glicemia. Após 20 anos de diabetes tipo 1, cerca de 99% dos pacientes têm algum grau de retinopatia. No tipo 2, a proporção é menor mas ainda significativa. O controle rigoroso da glicose reduz muito esse risco.
A retinopatia diabética tem cura?+
Não tem cura, mas tem controle eficaz. Injeções intravítreas de anti-VEGF, laser (fotocoagulação) e vitrectomia conseguem estabilizar e muitas vezes melhorar a visão, especialmente quando iniciados precocemente.
Com que frequência o diabético deve examinar os olhos?+
Pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas. Diabéticos com retinopatia já detectada fazem acompanhamento a cada 3 a 6 meses. Gestantes com diabetes precisam de exame no início da gestação e em cada trimestre.
A retinopatia diabética dá sintomas no início?+
Geralmente não — é exatamente por isso que é tão perigosa. Nos estágios iniciais a doença é assintomática. Quando surgem sintomas como visão embaçada, manchas e moscas volantes, o quadro já costuma estar avançado.
Quanto tempo leva para o diabetes afetar a visão?+
Varia muito. No diabetes tipo 1, alterações na retina podem aparecer após 5 anos da doença. No tipo 2, o paciente pode já ter retinopatia no momento do diagnóstico (porque muitos anos passaram com diabetes não detectado). O controle da glicemia é o maior fator de proteção.
Quais medicamentos são usados nas injeções para retinopatia?+
Os mais usados são os anti-VEGF: ranibizumabe (Lucentis), bevacizumabe (Avastin, uso off-label) e aflibercept (Eylea). Eles bloqueiam o crescimento de vasos anormais e reduzem o edema macular. Em alguns casos, usam-se também corticoides de liberação prolongada.
A pessoa pode perder a visão completamente por retinopatia diabética?+
Pode, se não tratada. A retinopatia proliferativa avançada com hemorragia grave ou descolamento de retina pode levar à cegueira. Mas com diagnóstico e tratamento precoces, a imensa maioria dos casos consegue preservar visão funcional.
Controlar o açúcar no sangue ajuda a retina?+
É a medida mais importante de todas. O estudo DCCT mostrou que controle intensivo da glicemia no diabetes tipo 1 reduz o risco de retinopatia grave em até 76%. No tipo 2, cada redução no HbA1c associa-se a menor progressão da retinopatia.
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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 29 de junho de 2026.