Doenças Oculares

Retinopatia diabética: sintomas, 4 estágios e tratamentos em 2026

A retinopatia diabética é silenciosa e a principal causa de cegueira em adultos. Entenda os 4 estágios, sintomas de alerta, injeções intravítreas, laser e quando operar.

Equipe médica do Hospital da Catarata 25 de abril de 2026 5 min de leitura

A retinopatia diabética é silenciosa, progressiva e a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva no Brasil e no mundo. Um em cada três diabéticos tem algum grau da doença — e metade deles não sabe. O problema: quando os sintomas aparecem, o dano já pode ser extenso.

A boa notícia: com rastreamento regular e tratamento oportuno, a visão pode ser preservada na grande maioria dos casos.

Por que o diabetes afeta a retina

O excesso crônico de glicose no sangue danifica os microvasos da retina — a camada fotossensível que forra o fundo do olho. Com o tempo, esses vasos:

  • Vazam líquido e proteínas → edema e exsudatos na retina
  • Fecham → áreas sem circulação (isquemia retiniana)
  • Crescem de forma anormal → novos vasos frágeis que sangram com facilidade

O resultado é uma cascata que vai do embaçamento discreto até a hemorragia intraocular, o descolamento de retina e a cegueira.

Os 4 estágios da retinopatia diabética

Estágio 1: Retinopatia não proliferativa leve (RDNP leve)

Microaneurismas — pequenas dilatações nas paredes dos vasos. Visíveis ao fundo de olho, mas sem sintoma para o paciente. Tratamento: controle clínico rigoroso (glicemia, pressão, colesterol) + revisão anual.

Estágio 2–3: Retinopatia não proliferativa moderada e grave (RDNP moderada/grave)

Mais microaneurismas, hemorragias pontuais, exsudatos, veias tortuosas. A isquemia começa a comprometer áreas maiores. Pode ser assintomático ou ter leve embaçamento. Tratamento: acompanhamento mais frequente (a cada 3–6 meses) e, se houver edema macular, injeções intravítreas.

Estágio 3: Edema macular diabético (EMD) — pode ocorrer em qualquer fase

O acúmulo de líquido na mácula (centro da retina, responsável pela leitura e visão de detalhes) é a principal causa de perda visual no diabético. Pode ocorrer em qualquer estágio da retinopatia. A OCT é o exame que detecta e quantifica o edema com precisão. Tratamento: injeções intravítreas de anti-VEGF (ou corticoide).

Estágio 4: Retinopatia proliferativa (RDP)

O estágio mais grave. A isquemia estimula o crescimento de vasos anormais e frágeis (neovascularização) no vítreo e na superfície da retina. Esses vasos podem:

  • Sangrar → hemorragia vítrea (perda visual súbita)
  • Criar membranas que puxam a retina → descolamento de retina tracional

Tratamento: injeções anti-VEGF + laser panretiniano (fotocoagulação) + vitrectomia nos casos avançados.

Sintomas: quando o silêncio se quebra

A retinopatia não proliferativa e o edema macular inicial costumam ser completamente silenciosos. Os sintomas surgem quando a doença avança:

  • Visão embaçada que varia ao longo do dia (sinal de edema macular)
  • Moscas volantes novas — podem indicar hemorragia vítrea incipiente
  • Manchas escuras ou "tela" no campo visual — hemorragia vítrea
  • Linhas tortas ou distorção de imagens — edema macular
  • Perda súbita de visão — emergência (hemorragia maciça ou descolamento)

Regra prática: não espere sintomas. O fundo de olho anual é o único rastreamento eficaz.

Diagnóstico: o que cada exame avalia

Exame O que mostra
Fundoscopia / mapeamento de retina Vasos, microaneurismas, hemorragias, neovascularização
OCT (tomografia de retina) Edema macular em corte de alta resolução; guia as injeções
Angiofluoresceinografia Vazamentos e áreas de isquemia; mapeia onde aplicar o laser
Retinografia Foto da retina para comparar com exames anteriores

O acompanhamento padrão usa fundoscopia + OCT. A angiografia é pedida quando o médico precisa mapear com precisão os vazamentos ou a extensão da isquemia.

Tratamentos disponíveis em 2026

Injeções intravítreas de anti-VEGF — padrão-ouro para o edema macular

Os medicamentos anti-VEGF bloqueiam o VEGF (fator de crescimento vascular endotelial) — a proteína que estimula o crescimento de vasos anormais e o vazamento de líquido.

Fármacos disponíveis:

  • Ranibizumabe (Lucentis) — aprovado especificamente para RD
  • Aflibercept (Eylea) — alta potência, doses menos frequentes com o tempo
  • Bevacizumabe (Avastin) — uso off-label, amplamente usado no Brasil por custo menor
  • Faricimabe (Vabysmo) — o mais novo, atua em dois alvos (VEGF e Ang-2), doses ainda mais espaçadas

Protocolo típico: 3–6 injeções mensais iniciais (fase de carga), depois manutenção com intervalos progressivamente maiores (PRN ou treat-and-extend), guiada pela OCT.

O procedimento é ambulatorial, dura poucos minutos e a maioria dos pacientes sente mínimo desconforto. Saiba mais em como funciona a injeção intravítrea.

Fotocoagulação a laser

  • Focal/em grade: para edema macular (menos usada desde os anti-VEGF dominaram)
  • Panretiniana: para retinopatia proliferativa — queima as áreas isquêmicas e reduz o estímulo para neovascularização. Pode causar perda de campo visual periférico, mas salva a visão central

Vitrectomia

Cirurgia indicada em hemorragia vítrea densa que não reabsorve, membranas tracionais e descolamento de retina. Remove o gel vítreo, as membranas e posiciona a retina novamente. Saiba mais em cirurgia de retina em SP.

Controle sistêmico: a base de tudo

Nenhum tratamento ocular funciona bem sem controle da doença de base:

Meta Por que importa
HbA1c < 7% (ou meta individualizada) Controle glicêmico; estudo DCCT: –76% de risco de progressão grave
Pressão arterial < 130/80 mmHg Hipertensão agrava a retinopatia
LDL colesterol em meta Exsudatos duros (depósitos de lipídios na retina) se associam a colesterol elevado
Não fumar Tabagismo piora a isquemia retiniana
Evitar oscilações bruscas de glicemia Melhora súbita no controle também pode precipitar progressão temporária

Quando e com que frequência examinar

  • Diabético tipo 1: exame de fundo de olho 5 anos após o diagnóstico, depois anual
  • Diabético tipo 2: exame no diagnóstico (pode já ter retinopatia) e depois anual
  • Gestantes diabéticas: no início da gestação e a cada trimestre
  • Retinopatia já detectada: a cada 3–6 meses, ou conforme indicação do retinólogo

Um único exame de fundo de olho não basta para toda a vida. Diabéticos são pacientes de acompanhamento perpétuo.

Retinopatia diabética em São Paulo

O Hospital da Catarata tem equipe especializada em retina, com OCT, mapeamento de retina, angiofluoresceinografia e realização de injeções intravítreas nas unidades Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul).

Se você tem diabetes e está há mais de um ano sem exame de retina — ou notou qualquer alteração visual — agende avaliação pelo WhatsApp (11) 99437-5888 ou pelo 0800 150 8005.

Perguntas frequentes

Todo diabético desenvolve retinopatia?+

Não necessariamente, mas o risco cresce com o tempo de diabetes e com o mau controle da glicemia. Após 20 anos de diabetes tipo 1, cerca de 99% dos pacientes têm algum grau de retinopatia. No tipo 2, a proporção é menor mas ainda significativa. O controle rigoroso da glicose reduz muito esse risco.

A retinopatia diabética tem cura?+

Não tem cura, mas tem controle eficaz. Injeções intravítreas de anti-VEGF, laser (fotocoagulação) e vitrectomia conseguem estabilizar e muitas vezes melhorar a visão, especialmente quando iniciados precocemente.

Com que frequência o diabético deve examinar os olhos?+

Pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas. Diabéticos com retinopatia já detectada fazem acompanhamento a cada 3 a 6 meses. Gestantes com diabetes precisam de exame no início da gestação e em cada trimestre.

A retinopatia diabética dá sintomas no início?+

Geralmente não — é exatamente por isso que é tão perigosa. Nos estágios iniciais a doença é assintomática. Quando surgem sintomas como visão embaçada, manchas e moscas volantes, o quadro já costuma estar avançado.

Quanto tempo leva para o diabetes afetar a visão?+

Varia muito. No diabetes tipo 1, alterações na retina podem aparecer após 5 anos da doença. No tipo 2, o paciente pode já ter retinopatia no momento do diagnóstico (porque muitos anos passaram com diabetes não detectado). O controle da glicemia é o maior fator de proteção.

Quais medicamentos são usados nas injeções para retinopatia?+

Os mais usados são os anti-VEGF: ranibizumabe (Lucentis), bevacizumabe (Avastin, uso off-label) e aflibercept (Eylea). Eles bloqueiam o crescimento de vasos anormais e reduzem o edema macular. Em alguns casos, usam-se também corticoides de liberação prolongada.

A pessoa pode perder a visão completamente por retinopatia diabética?+

Pode, se não tratada. A retinopatia proliferativa avançada com hemorragia grave ou descolamento de retina pode levar à cegueira. Mas com diagnóstico e tratamento precoces, a imensa maioria dos casos consegue preservar visão funcional.

Controlar o açúcar no sangue ajuda a retina?+

É a medida mais importante de todas. O estudo DCCT mostrou que controle intensivo da glicemia no diabetes tipo 1 reduz o risco de retinopatia grave em até 76%. No tipo 2, cada redução no HbA1c associa-se a menor progressão da retinopatia.

Agende sua avaliação

Converse com a equipe do Hospital da Catarata e tire suas dúvidas. Atendimento em duas unidades em São Paulo.

12x de R$ 233,33 sem juros

★★★★★ 4.8 no Google · 86 avaliações

Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 29 de junho de 2026.

Continue lendo