Catarata

Riscos da cirurgia de catarata: o que você precisa saber

A cirurgia de catarata é segura, mas como todo procedimento tem riscos. Conheça as possíveis complicações, sua frequência real e como são prevenidas e tratadas.

Equipe médica do Hospital da Catarata 15 de maio de 2026 7 min de leitura

A cirurgia de catarata é uma das mais realizadas e seguras de toda a medicina, com índice de sucesso muito alto. Ainda assim, como qualquer procedimento, ela tem riscos — e conhecê-los faz parte de uma decisão informada e tranquila. O ponto essencial: as complicações são pouco frequentes e, na maioria, tratáveis.

Por que a cirurgia é considerada segura

A técnica moderna (facoemulsificação) é minimamente invasiva, feita por micro-incisão, com anestesia local e, em geral, sem pontos. A combinação de tecnologia, avaliação pré-operatória criteriosa e equipe experiente torna a maioria das cirurgias previsível e segura. Veja com mais detalhes como é feita a cirurgia de catarata e o que esperar em cada etapa.

Frequência real das complicações: dados que colocam os riscos em perspectiva

Uma das maiores fontes de ansiedade antes da cirurgia é o desconhecimento sobre a real probabilidade de cada complicação. A tabela abaixo reúne os dados mais relevantes para que você possa avaliar com clareza:

Complicação Frequência estimada Como é tratada
Olho seco / sensação de areia Muito comum (até 30% dos casos) Lágrimas artificiais; resolve em semanas
Inflamação leve (uveíte) Comum Colírios anti-inflamatórios prescritos
Edema macular cistóide 1–2% Colírios e, em alguns casos, injeções intravítreas
Elevação da pressão intraocular 1–2% (transitória) Colírios hipotensores; raramente medicação oral
Catarata secundária (opacificação de cápsula) 20–40% em 5 anos Capsulotomia YAG laser em consultório (5 minutos)
Descolamento de retina Menos de 0,5% Cirurgia de retina com alta taxa de sucesso
Rotura de cápsula posterior 0,5–2% Ajuste de técnica no ato cirúrgico; geralmente contornável
Endoftalmite (infecção intraocular) Menos de 0,1% Antibióticos intravítreos; tratamento de emergência
Perda significativa de visão Inferior a 0,05% Depende da causa; maioria é tratável

Esses números mostram que a grande maioria das intercorrências é leve e reversível. Complicações graves existem, mas são estatisticamente muito raras em centros experientes.

Complicações leves e temporárias

São as mais comuns e costumam se resolver espontaneamente no pós-operatório com o uso correto dos colírios prescritos:

  • Olho seco e sensação de areia, aliviados com lágrimas artificiais
  • Vermelhidão e lacrimejamento nos primeiros dias
  • Inflamação leve, controlada com os colírios prescritos
  • Sensibilidade à luz temporária

Complicações menos frequentes

  • Edema da córnea ou da mácula: inchaço que pode embaçar a visão e que costuma responder a tratamento, ainda que leve algumas semanas.
  • Aumento da pressão intraocular: transitório, controlado com medicação.
  • Opacificação da cápsula (catarata secundária): muito comum a médio prazo e facilmente resolvida com laser, sem nova cirurgia — veja mais detalhes na seção a seguir.

Catarata secundária: comum, mas não é grave

A chamada "catarata secundária" merece atenção especial porque é, de longe, a intercorrência mais frequente após a cirurgia — afetando entre 20% e 40% dos pacientes em até cinco anos. O nome pode assustar, mas a realidade é bem menos preocupante do que parece.

O que acontece é uma opacificação da cápsula posterior do cristalino — a membrana fina que foi mantida intacta para sustentar a lente intraocular. Com o tempo, células residuais podem se proliferar sobre essa cápsula e turvar a visão, exatamente como a catarata original.

O tratamento é feito em consultório com a capsulotomia YAG laser: um procedimento indolor, sem incisão e em menos de cinco minutos. O laser cria uma pequena abertura na cápsula opacificada, restaurando a visão de forma imediata. Não é necessário internação nem anestesia.

Se a sua visão que havia melhorado com a cirurgia começou a embaçar meses ou anos depois, comunique seu médico — a solução é simples.

Complicações raras, porém sérias

  • Endoftalmite (infecção intraocular): rara (menos de 0,1%), mas grave; por isso a antissepsia rigorosa e o uso correto dos colírios antibióticos são tão importantes.
  • Descolamento de retina: incomum (menos de 0,5%), com risco um pouco maior em olhos muito míopes. Saiba mais sobre como a retina pode ser afetada em condições associadas.
  • Rotura da cápsula durante a cirurgia: pode exigir ajuste na técnica e influenciar o tipo de lente implantada.

A frequência dessas complicações é baixa, e a maioria, quando ocorre, pode ser tratada — especialmente com diagnóstico precoce.

O risco de NÃO operar

Muitos pacientes adiam a cirurgia com medo das complicações, sem considerar os riscos do adiamento. A catarata não tratada evolui e traz consequências concretas:

Catarata avançada dificulta a própria cirurgia. Quando o cristalino está muito denso e endurecido, é necessário mais energia ultrassônica para fragmentá-lo, o que aumenta o risco de edema de córnea e outras complicações. A cirurgia precoce — feita enquanto a catarata ainda é de grau leve a moderado — é tecnicamente mais simples e segura.

Risco de quedas e fraturas. Idosos com visão prejudicada por catarata têm risco substancialmente maior de quedas, que podem resultar em fraturas de quadril — uma das principais causas de morbimortalidade nessa faixa etária. Restaurar a visão diminui esse risco de forma significativa.

Perda de independência e qualidade de vida. A dificuldade de ler, dirigir, reconhecer rostos e navegar em ambientes desconhecidos afeta a autonomia, acelera o isolamento social e está associada ao declínio cognitivo em idosos. Leia mais sobre catarata e suas possibilidades de tratamento.

Em resumo: o risco calculado de uma cirurgia bem planejada é, na grande maioria dos casos, muito menor do que o risco acumulado de conviver com a catarata sem tratar.

O que aumenta os riscos

Alguns fatores tornam a cirurgia mais complexa e merecem atenção no planejamento:

  • Catarata muito avançada e densa (mais um motivo para não adiar demais o tratamento)
  • Diabetes mal controlado e retinopatia diabética
  • Glaucoma e outras doenças oculares associadas
  • Olhos com cirurgias ou traumas prévios
  • Pupila que dilata pouco e uso de certos medicamentos (como o tansulosina, usado para próstata)

Como os riscos são minimizados

  • Avaliação pré-operatória completa, com exames que medem o olho e identificam fatores de risco
  • Controle de doenças sistêmicas, como diabetes e hipertensão, antes da cirurgia
  • Técnica adequada e equipe experiente
  • Adesão do paciente aos colírios, à proteção e aos retornos no pós-operatório

O que perguntar ao cirurgião antes da cirurgia

Uma conversa aberta com o seu cirurgião é parte essencial do processo. Use este checklist para aproveitar ao máximo a consulta pré-operatória:

  1. Qual técnica cirúrgica você utiliza? A facoemulsificação é o padrão atual; confirme se ela está disponível.
  2. Quantas cirurgias de catarata você realiza por ano? Volume é um indicador indireto de experiência; cirurgiões experientes têm taxas de complicação menores.
  3. Qual o protocolo de antibiótico profilático da clínica? A injeção de antibiótico intracameral (dentro do olho) ao final da cirurgia reduz dramaticamente o risco de endoftalmite.
  4. Como minha condição sistêmica (diabetes, hipertensão) deve ser controlada antes? Entenda quais exames e metas são necessários.
  5. Tenho algum fator de risco específico que você identificou nos meus exames? Peça que o cirurgião explique o que viu na biometria e na biomicroscopia.
  6. O que devo fazer se sentir dor intensa ou queda súbita de visão após a cirurgia? Saiba exatamente como acionar a equipe em situações de emergência.

Sinais de alerta no pós-operatório e o que fazer

O pós-operatório da cirurgia de catarata é, para a maioria dos pacientes, tranquilo. No entanto, alguns sinais pedem atenção imediata — não espere a próxima consulta de rotina se perceber:

Sinal de alerta Possível causa Conduta
Dor intensa ou pressão forte no olho Hipertensão ocular aguda ou outra complicação Contate o cirurgião imediatamente
Queda súbita de visão Descolamento de retina, endoftalmite ou edema grave Pronto-socorro oftalmológico com urgência
Olho vermelho com secreção e dor crescente Endoftalmite (infecção) Emergência — o tempo é crítico para o tratamento
Visão de flashes de luz ou cortina escura Descolamento de retina Urgência oftalmológica
Embaçamento progressivo semanas a meses após Catarata secundária Agendar consulta eletiva para capsulotomia laser

Nunca interrompa os colírios por conta própria e sempre compareça às consultas de retorno agendadas. O acompanhamento pós-operatório é tão importante quanto a cirurgia em si.

A decisão informada é a melhor decisão

Conhecer os riscos não deve assustar, e sim ajudar a decidir com segurança. Em uma avaliação individual, o cirurgião explica o seu caso específico, os benefícios esperados e os cuidados necessários.

O Hospital da Catarata atende nas unidades da Lapa (Zona Oeste) e Chácara Santo Antônio (Zona Sul) de São Paulo. Nossa equipe realiza avaliação pré-operatória completa, identificando fatores de risco e traçando o planejamento ideal para cada paciente. Se você tem dúvidas sobre operar, agende uma consulta para conversar abertamente sobre riscos e benefícios — tomar essa decisão com informação e suporte médico é o caminho mais seguro.

Perguntas frequentes

A cirurgia de catarata é perigosa?+

Não. É um dos procedimentos mais realizados e seguros da medicina, com altíssima taxa de sucesso. Complicações graves são raras, especialmente quando a cirurgia é feita por equipe experiente e o paciente segue as orientações do pós-operatório.

Quais as complicações mais comuns da cirurgia de catarata?+

As mais frequentes são leves e temporárias: olho seco, sensação de areia, discreta vermelhidão e inflamação controlada com colírios. Complicações sérias, como infecção (endoftalmite) ou descolamento de retina, são raras.

O que aumenta o risco da cirurgia de catarata?+

Catarata muito avançada e densa, doenças oculares associadas (como glaucoma e retinopatia diabética), diabetes mal controlado e olhos com cirurgias prévias podem aumentar a complexidade. A avaliação pré-operatória identifica esses fatores e orienta o planejamento.

É possível perder a visão na cirurgia de catarata?+

A perda de visão é uma complicação extremamente rara. Na imensa maioria dos casos, a cirurgia melhora a visão. Os riscos são minimizados com avaliação criteriosa, técnica adequada e acompanhamento no pós-operatório.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do Hospital da Catarata. Última atualização em 26 de maio de 2026.

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